sábado, 17 de maio de 2014

É isso ai...


Depois da saúde, o bem mais importante é a paz interior

Em todas as viagens, o Guia de Turismo, sempre tem alguma lenda para contar, ou uma historia que desperta a curiosidade dos turistas. E aqui vai uma que alguns já devem conhece-la: “A lenda de Santo Ângelo: Reescrevo na íntegra o que consta no livro de Isaac Grinberg – Mogi das Cruzes de Antigamente – Editora Saraiva – 1964, diz assim: “Entre as muitas lendas e crendices do folclore mogiano, uma das mais interessantes é, certamente, a de Santo Ângelo.

No atual distrito de Jundiapeba, de nosso município, há até hoje a capela de Santo Ângelo, que data de 1738. A imagem daquele santo que ali se venerava, tinha, para os antigos mogianos, uma propriedade ímpar: fazia chover.

Por isso, quando havia secas prolongadas a população e especialmente os lavradores rezavam para o piedoso santos e pediam-lhe as desejadas e salvadoras chuvas.

Aos poucos, entretanto, modificou-se a idéia original: não bastava rezar. Era preciso trazer a imagem de sua capela para a igreja de Mogi e aqui deixa-la até que chovesse. Como o santo não gostava de ficar fora de seu verdadeiro altar, intercederia para que logo chovesse e ele pudesse, assim, voltar para a sua capela...

A crença generalizou-se. E tão bons foram os resultados alcançados, que a cada seca a imagem vinha lá dos campos de Santo Ângelo para Mogi e aqui ficava até que o pedido fosse atendido. Ai, então, era ela devolvida à capela com festas e procissões.

Em 1914, por exemplo, o fato repetiu-se. A 18 de agosto daquele ano, depois de longa seca que alarmava os agricultores, trouxe-se a imagem da capela de Santo Ângelo para a do Ipiranga, já na cidade. E dali, grande procissão – acompanhada pelas irmandades e grande massa popular e organizada e dirigida por Frei Muniz – conduziu o milagroso santo até a igreja do Convento do Carmo, onde ficou exposto à visitação pública. Fervorosas preces foram-lhe dirigidas, então, para que fizesse cair as desejadas chuvas sobre o município. A transladação foi solene e as ruas do cortejo estavam ricamente ornamentadas.

Assim, muitas e muitas vezes, aconteceu. O povo acostumou-se a pedir chuva por intermédio do milagroso santo.

A imaginação popular, entretanto, enriqueceu as referências à prática com uma história pitoresca que vale a pena registrar.

Contava-se – e as gerações repetiam – que houve um ano em que o povo não cumpriu a promessa para com Santo Ângelo. Quando a seca já se prolongava, grande procissão foi busca-lo em sua capela. Algum tempo depois, afinal, choveu. Mas os mogianos esqueceram-se, de levar o Santo de volta.

Passou-se o primeiro dia de chuva, o segundo, o terceiro... e nada.

No quarto dia verificou-se que o santo não estava mais no altar em Mogi! A notícia espalhou-se. A consternação foi geral.

Nesse ínterim, entretanto, alguém lembrou-se de ir olhar no seu altar original, na capela dos campos de Santo Ângelo.

Pois – conta a história – já estava a imagem como se de lá não houvesse saído!

Mas tinha os pezinhos sujos de barro.

Capela Rural de Santo Ângelo

Conforme a data gravada na verga da porta principal, foi fundada em 1738, pela Ordem dos Carmelitas. A técnica empregada na construção das paredes estruturais foi taipa de pilão, e nas paredes divisórias a taipa de sebe ou pau-a-pique. A capela servia ao mesmo tempo para cultos religiosos e hospedagem de seus devotos, que participavam, no mês de maio das festividades comemorativas ao santo. Na parte térrea da capela, do lado esquerdo, ainda podem ser encontrados os quartos das mulheres e, na parte superior, o sótão que alojava os homens. Este patrimônio é um dos únicos existentes no Brasil, com esse tipo de junção específica: alojava mulheres, homens e animais.

Endereço: Estrada de Varinhas, Km 50 - Santo Ângelo, Mogi das Cruzes – SP. Vale a pena visitar.


Até a próxima!