sexta-feira, 22 de novembro de 2013

É isso ai...

Revendo artigos, deparei-me com um que toca o coração de muitos mogianos: “sobre a Igreja do Rosário”, que muitos, com certeza, sequer imaginam onde é, ou melhor, onde era. Tratava de uma construção setecentista que ficava na rua D. Deodato Wertheimer. Igreja simples, mas com seus referenciais comunitários, a Igreja do Rosário, tinha ao seu lado, o velho mosteiro de carmelitas enclausuradas, um conjunto de pequenos quartos nos fundos da igreja, à qual se chegava por um acesso na lateral esquerda do templo. Ali, viveu, até meados da década de 1950, a congregação de madre Tereza Margarida do Coração de Maria. Mineira da Borda da Mata, ela chegou ao mosteiro em 1936, com 21 anos. Fundou o Carmelo São José em Três Pontas/MG, logo após que sua congregação, pela absoluta falta de habitabilidade do espaço, deixou o mosteiro do Rosário. Era na época de 1948 e 1949, que as hóstias eram fabricadas pelas freiras enclausuradas que se utilizavam de uma portinhola, que se abria pela metade, não dando sequer oportunidade de serem vistas. As carmelitas permaneceram no Rosário, até meados de década de 1950. Foram-se para outro mosteiro no Vale do Paraíba. Nessa época, a construção já estava muito deteriorada: as paredes de taipa comprometidas pela infiltração de água e o madeirame infestado por cupim. A Igreja e o Mosteiro do Rosário ficaram abandonados, fechados (não existiam invasores como nos dias de hoje). Eram outros tempos.
DÊ OURO PARA O BEM DO BRASIL

Em junho de 1964, após o golpe militar de 31 de março a igreja reabre suas portas, para servir à campanha “Dê ouro para o Bem do Brasil”, uma iniciativa do jornalista Assis Chateaubriand, controlador da rede de jornais, radio e TV (Diários Associados) e, é claro, aliado do novo regime. Tal campanha funcionava assim: as pessoas que ofertassem jóias – de preferência alianças de ouro – ganhavam, em troca, uma aliança de latão, isso mesmo, de latão. Pelo que podem pensar, ao contrário, a campanha foi um sucesso, principalmente pela adesão do Rotary Club, que colocou sua estrutura espalhada por milhares de cidades brasileiras à serviço do projeto. Esses recursos seriam destinados a projetos educacionais e de saúde e, com o dinheiro da campanha constitucionalista, doado para a Santa Casa de São Paulo, construiu-se um prédio no Largo da Misericórdia. Detalhe: nunca houve prestação de contas da campanha deflagrada por Chateaubriand.

VENDA DA IGREJA


Encerrada a campanha de Chateaubriand, e instalada a Diocese de Mogi das Cruzes, o primeiro bispo, dom Paulo Rolim Loureiro, decidiu vender o imóvel como meio de obter recursos para concluir as obras da Catedral – iniciadas em 1953. No mesmo local foi projetado o Conjunto Rosário, então a maior área em construção na cidade e que teria alas comerciais, de escritórios e um hotel. O empreendimento não levou felicidade aos seus dois controladores: primeiro os irmãos Isaac e Jayme Grimberg, em seguida José Elias Andery, o qual, este último confessara a amigos: “Ao passar certo dia em frente ao Rosário, Hélio Borenstein, que me acompanhava, comentou: ‘ duas coisas eu nunca faço – comprar propriedade de viúva e construir algo onde antes houvesse uma igreja’. Não me lembrei de seu conselho quando assumi o empreendimento; devia ter-me lembrado” – finalizou Andery. Hoje, quem passa pelo Largo do Rosário, mais conhecido como “praça da Marisa”, consegue, após um longo período de tempo, perceber a imagem da Igreja do Rosário em um “monumento de vidro” instalado ao alto, bem à frente do hotel citado. É isso ai... Isto é Mogi.

Até a próxima!