sábado, 30 de novembro de 2013

É isso ai... 2ª parte...

Na semana passada escrevi sobre a Igreja do Rosário, muitos amigos recordaram a época e outros sequer sabiam de sua existência e mais, que a imagem, encontra-se estampada em painel de vidro, justamente defronte ao local que pertencia.

Sim. Recordações boas e não tão, aos nossos Guias de Turismo, que perderam um ponto turístico à ser mostrado.
Nesta semana, um local para apreciar e, marco também de nossa cidade, é o Largo do Carmo. Ele faz parte de um dos mais importantes complexos arquitetônicos de nossa cidade, pois lá podemos observar as Igrejas da Ordem do Carmo, Teatro Vasques, a sede da Corporação Musical Santa Cecília, além do Casarão do Carmo, onde funciona o Museu Visconde de Mauá com um belo acervo de nossa história que vale a pena ser visitado. Uma imagem de Nossa Senhora do Carmo completa a bela paisagem do largo..

A “Província Carmelita de Santo Elias” possui duas igrejas tombadas e restauradas pelo IPHAN – Instituto Histórico e Artístico Nacional – as Ordens Primeira e Terceira do Carmo, origem do nome da praça, restaurada algumas vezes e um dos locais mais bonitos, segundo os mogianos. Ponto de encontro para jovens e casais, o espaço ainda é utilizado como palco para shows e apresentações artísticas; um verdadeiro espaço cultural e histórico ao ar livre, merecedor da apreciação do turista e estudo de nossos Guias.

O SINO DO CARMO

Umas das histórias do local, foi relatada no livro do escritor Isaac Grimber – edição de 1964 e diz: “A mocidade mogiana, como as demais, também fez das suas. Quando cidadão enfarpelado dos nossos dias foi responsável por artes do arco da velha. Quantos hão de lembrar-se, com saudade, das inocentes e divertidas brincadeiras de um tempo que não volta mais... Uma delas, por exemplo, é a do sino do Carmo, que badalou com insistência à meia noite, sem que ninguém mexesse nele! Fato verídico, ocorrido em 1901. Eram já onze e meia da noite e os dois rapazes continuavam conversando junto à porta de loja de um deles. De repente, à luz bruxoleante do lampião da esquina, surge um gato. Um dos dois associa o gato ao sino do Carmo e tem uma ideia: -E se amarrássemos o gato no badalo do sino?

O outro rapaz concordou de pronto. Abriu-se a loja, o dono muniu-se de um pedaço de corda e os dois saíram para pegar o gato. Amarraram a corda no seu pescoço e seguiram para o Largo do Carmo. Ninguém na rua. Em volta da torre, os andaimes que os pedreiros haviam preparado para a reforma que se fazia. O rapaz subiu pelo andaime, amarrou a ponta da corda no badalo do sino e pôs o gato no telhado da igreja. Desceu às pressas e foi juntar-se ao outro rapaz que já se dirigira para a esquina, em lugar onde não pudessem ser vistos do Largo.

Não tardou que o gato quisesse andar pelo telhado. E mal esticou a corda, o sino tocou: BLÉM!... O gato assustou-se e correu para o outro lado. O sino repetiu: BLÉM!... E assim foi, por muitos minutos. A cidade toda intrigou-se com o badalar do sino à meia noite. Muita gente tratou de levantar-se, abrir a janela, a ver qual seria a novidade. E no Carmo, o sino não se aquietava. BLÉM...BLÉM...BLÉM... Não demorou muito, abriu-se a porta do convento e saiu à rua um frade cheio de sono. Os rapazes aproveitaram a deixa e correram ao seu encontro: -O que aconteceu, Frei? Nós estávamos lá embaixo e viemos correndo para saber porque toca o sino. Alguma novidade importante? - E eu sei, por acaso? Respondeu o religioso. Olha daqui, olha dali, o frade não vê ninguém. E o sino batendo... Afinal, um dos moços ofereceu-se para subir à torre e ver se há lá alguma coisa. Sobe calmamente pelo andaime, fingindo medo. E o sino a tocar, cada vez com mais intensidade. Também, pudera, o pobre do gato já estava quase louco com a prisão e o barulho! Afinal o rapaz chega perto do sino e grita para baixo: - Aqui não há nada, Frei! Ninguém, ninguém!... Mas o sino continuava tocando. O rapaz tirou, então, um canivete do bolso, cortou a corda e soltou o gato, que aos pulos, correu pelo telhado do convento e desapareceu na escuridão. O rapaz desceu calmamente e dirigiu-se ao frade:  

- Não havia ninguém lá, Frei. Ninguém! E arrematando, com os olhos arregalados: - O senhor acredita em alma do outro mundo? O bondoso frade persignou-se, e recolheu-se ao convento. Ele deve ter pensado muito no caso, nessa noite...

 Até a próxima!