terça-feira, 7 de maio de 2013

2° Capitulo da Festa do Divino Espírito Santo - Preparativos da Festa


Preparativos da Festa

Tem inicio a partir da escolha dos novos festeiros, portanto, um ano antes da festa.
Primeiras Atividades: durantes o ano, eles organizam uma serie de eventos mensais, para angariar fundos para a festa, como chás e bingos, mas não se esquecem da parte religiosa, promovendo, nessas ocasiões, as rezas da Coroa do Divino, para orar pelos devotos em geral e, dessa forma, manter acesa a chama de fé e devoção de todos no Divino Paráclito. Tais reuniões acontecem na sede da Associação Pró-Festa do Divino, sendo muito concorridas e muito animadas.
Rezadeiras: a partir do inicio do ano, as equipes de beneméritas rezadeiras começam a sua louvável peregrinação pelas casas de devotos, onde acontecem as rezas comunitárias, orando pelos donos da casa e pelos devotos do Divino. Pedem, também, muita luz e forca para os festeiros. Visitam centenas de casas de devotos, num trabalho abnegado e meritório, contribuindo para difundir a devoção ao Espírito Santo.
Donativos escolares: mais ou menos dois meses antes da festa, tem inicio a coleta de donativos das escolas, que foram previamente contatadas. Os alunos recebem uma medalhinha do Divino, em troca de sua contribuição. São coletadas toneladas de mantimentos que são utilizados na festa, sendo distribuída a sobra para as entidades carentes.
“Abelhinhas do Divino”: duas a três semanas antes da festa, tem inicio o trabalho das chamadas “abelhinhas do Divino”. São dezenas e dezenas de devotas que, diariamente, se dedicam ao preparo dos doces tradicionais da festa, que podem ser feitos com antecedência, sem perigo de estragar. São os de abóbora, laranja, mamão, cidra e batata-doce, que serão vendidos na quermesse e distribuídos nas creches e orfanatos. Neste trabalho árduo, elas são ajudadas por dois ou três homens devotos, cuja função principal é mexer os tachos de doces. Começam a preparar, também, alguns salgadinhos, que serão congelados. Esse trabalho continua, ainda, durante o período da festa, quando são preparados outros doces como o sagu e o arroz-doce. Também são preparados os salgadinhos: pasteis, empadinhas, tortinhos, quibes e outros.

Festeiros

Antigamente, eles eram escolhidos por sorteio. Hoje, os festeiros do anos indicam os do próximo ano, que devem ser aprovados pelo Sr. Bispo Diocesano. No passado, os novos festeiros eram anunciados no dia de “Corpus Christi”, quando eles recebem as bandeiras dos ex-festeiros. O casal de festeiros é o responsável pela festa. É ele quem organiza e toma todas as providencias, para que a festa seja um sucesso. O casal de capitães-do-mastro é o seu auxiliar imediato.

Patrono da Bandeira

Como vimos, o primeiro ato oficial é a abertura do Império, com a benção das novas bandeiras. Após a solenidade religiosa, é hasteada uma bandeira do Divino, em frente ao Império, no largo da Catedral. Antigamente, essa bandeira tinha como Patrono uma personalidade da cidade, que discursava declarando abertura da Festa, em nome do Festeiro (Morlini & Kato, 1973). Não sabemos a partir de quando, mas há mais de dez anos que o convidado para Patrono tem sido sempre o Exmo. Sr. Prefeito Municipal e Senhora. Percebe-se, logo, que a instituição do Patrono da Bandeira é a coisa mais recente que não se liga às tradições mais antigas. Mas não se sabe, no entanto, quando esse costume teve inicio.

Alvoradas

São cortejos que saem do Império às 5 horas da manha, e percorrem as ruas do centro da cidade, indo um dia para cada lado, sem que tenha pré-estabelecido para que rumo ir. A caminhada é aberta pelos lanterneiros que, com suas rústicas lanternas, lembram tradições antigas, sendo interessante verificar que muitos devotos se apresentam para carregar as lanternas, como paga de promessas feitas. Com os festeiros na frente, ex-festeiros e uma multidão de alferes com suas bandeiras, ela dura aproximadamente uma hora, quando se reza a Coroa do Divino, pedindo as bênçãos do Espírito santo para a cidade que acorda.
Dela participa, também, a Folia do Divino, que canta logo após a saída do cortejo e no retorno, já dentro do Império. Mas nem sempre foi assim: ate pouco tempo atrás, o cortejo parava para visitar famílias de devotos e doentes, a quem o festeiro oferecia a sua bandeira para beijar. Mas, quando era alguém que não podia se levantar, ela era estendida sobre a cama (Morlini & Kato, 1973). No passado, portanto, com a participação da folia, a alvorada tinha uma função peditória. Após a sua chegada, todo o povo, a convite do festeiro, se dirige para o salão paroquial onde é servido um delicioso café com torradas, por conta da festa. As alvoradas têm inicio no primeiro Sábado da Festa e vai ate o Domingo de Pentecostes.

Texto: Professor Jurandyr Ferraz de Campos
Foto: Paulo Pinhal