quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Museu Histórico Prof. Guiomar Pinheiro Franco


O Museu Prof. Guiomar está instalado na Rua José Bonifacio, 202, no centro de Mogi das Cruzes. Centro, aliás, que é o ponto inicial do povoamento da cidade, no século XVI. Ali está o marco zero, a Catedral de Sant’Ana, até hoje ainda chamada por muito “Igreja Matriz”, Matriz de Sant’Ana, ou simplesmente “Matriz”.
            O Museu Guiomar, como é conhecido, tem por objetivo mostrar o modo de vida de uma família nos séculos XIX e XX.
            Algumas características da casa a  tornam importante para a história de Mogi das Cruzes:
            A primeira delas é a arquitetura. O prédio, construído em taipa de pilão, na segunda metade do século XVIII, é o único do gênero que restou em pé. Não há registros da familia que o  construiu, mas sabe-se que a Familia Pinheiro Franco é sua segunda proprietária, isso até os dias de hoje.
            Inicialmente, o edifício abrigava, no pavimento inferior um armazém, o que explica o fato de conter tantas portas. (Por volta de 1970, o prédio passou por reformas e, por questão de segurança, foram instaladas janelas no andar térreo, sem porém serem retiradas as portas originais.)
            Nesse andar, ficavam os estoques, bem como os escravos ali também se abrigavam. Uma característica da construção, é a alcova, pequeno cômodo sem iluminação e sem ventilação, que servia como quarto de hóspedes, para viajantes que precisavam passar uma ou duas noites na cidade. Atualmente, a alcova é apenas mais um cômodo da casa.
            O pavimento superior servia à convivência familiar. Visitando esse pavimento, podemos depreender como eram os costumes da época: os cômodos da área social são grandes, ao contrário dos cômodos da área íntima (quartos). A família de D. Guiomar era bastante grande: além dela, 14 irmãos conviviam nessa casa agradável.
Já no século XX, os dois pavimentos passaram a ter finalidade única: residência familiar. Isso perdurou até 1999, quando faleceu a última moradora: a prof. Guiomar Pinheiro Franco Lapin.
            Outro aspecto a ser estudado, neste Museu, é a família que ali habitou por muitos anos. Os Pinheiro Franco sempre participaram ativamente da vida mogiana. Inicialmente, mais ligados à política (vide Coronel Souza Franco). Depois, as gerações se dedicaram à Educação e ao Direito. Dona Guiomar foi uma das grandes educadoras de Mogi das Cruzes, além de ter sido ela quem trouxe para a cidade a Rede Feminina de Combate ao Câncer, fundada em São Paulo por D. Carmen Prudente. Hoje, a entidade é comandada por sua filha Eugenia Maria Franco Lapin Atuí.
            A irmã de D.Guiomar, Djanira, foi professora de música, além de participar ativamente das atividades religiosas da Igreja Matriz. Há poucos anos, faleceu em São Paulo o Dr. Djalma Pinheiro Franco, desembargador, que já tem seu nome em uma rua da metrópole.
            A casa dos Pinheiro Franco também serviu, durante muitos anos, de ponto de encontros sociais. Ali eram realizados saraus (encontros de música e poesia), reunindo a elite social e intelectual da época.
            Há, no Museu Guiomar, duas curiosidades interessantes:
            = na sala de jantar, no andar superior, o visitante pode apreciar uma interessante coleção de coelhos (peças decorativas). Com cerca de ___ peças, há desde coelhos de cristal importado até peças extremamente simples, beirando ao kistch. Mas é justamente essa variedade de estilos e materiais que dá ao conjunto um charme especial. E por que essa coleção? Simples: o marido da prof. Guiomar se chamava Benedito Lapin. Como se sabe, “lapin” na língua francesa quer dizer “coelho”.
            = outra curiosidade diz respeito à imagem de Nossa Senhora da Lapa. A belíssima imagem barroca, portuguesa é do século XVIII e ficava instalada, originalmente, em um nicho localizado no canto externo da casa. Tanto que o beco lateral ao prédio tem o nome de “Beco da Lapa”. Com o tempo e por orientação da Igreja, a imagem foi recolhida e encontra-se num oratório, também no andar superior. Mas a curiosidade ligada à imagem é a seguinte: sempre que tinha um problema para resolver, Dona Guiomar retirava os brincos da santa (característica comum nas imagens femininas barrocas) e os colocava em si mesma. Ia tratar do problema, geralmente, resolvendo-o. Então, ela voltava à casa, devolvia os brincos à santa e orava, em agradecimento. Pode-se dizer que Dona Guiomar criou uma “intimidade muito bonita” com Nossa Senhora. Sabedores da grande religiosidade da professora, não é se estranhar esse fato.
            Outro importante fato histórico ligado à residência dos pinheiro Franco é a Revolução Constitucionalista de 1932. Um dos irmãos de D. Guiomar, Fernando Pinheiro Franco, residia e trabalhava em São Paulo (Banco de Boston), na época em que estourou a Revolução. Aos 20 anos, Fernando inscreveu-se como voluntário e, infelizmente, foi um dos quatro mogianos que tombaram em combate. Os demais foram: Jair Fontes de Godoy, José Antonio Benedito e Cabo Diogo Oliver. Uma das principais avenidas de Mogi leva o nome do Voluntário Fernando Pinheiro Franco.
            Para lembrar a Revolução e reverenciar os heróis mogianos, está instalada, numa das salas do andar térreo do Museu uma exposição didática, som painéis que mostram fatos diversos do confronto, bem como da participação ativa e importante da cidade num dos maiores conflitos armados da História do Brasil. Todo ano, no dia 09 de Julho, é realizada uma cerimônia alusiva à data, lembrando de modo especial os mogianos que deram sua vida pelos ideais revolucionários de 1932.
            Visitar o Museu Prof. Guiomar é voltar no passado, é lembrar ou tomar conhecimento de uma época em que tudo era mais tranqüilo, as pessoas se visitavam. Não havia poluição, nem tanta violência. Uma parte da História da cidade, ainda presente nos dias de hoje.